Economia e Negócios

 Zona Rural

Existem pequenas fazendas que teimam em sobreviver a despeito das dificuldades; isso podemos atribuir ao fato de os cabeceirenses serem um povo futurista e incentivado pelos financiamentos de crédito rural da Caixa Econômica Federal, através da Secretaria Municipal de Agricultura, organizando-se em comunidades e assim sobrevivendo de forma próspera em cooperativas.

Agropecuária

Pecuária é o tratamento e a criação de rebanhos, cujos principais são: caprinos, bovinos, suínos e ovinos. Além desses rebanhos, destacam-se os equinos, muares e asininos. Ela já foi a principal atividade econômica do Piauí. Atualmente, ainda é bastante ativa, porém não como antes. Daí, o Piauí ainda ser considerado um estado pecuarista, pois essa atividade ainda é bem difundida no interior do estado.

Criação de gado bovino em Cabeceiras do PiauíOs rebanhos apresentam tendência a se desenvolver, apesar da falta de assistência e de aparelhamento técnico para industrialização no manejo do gado, financiamentos e racionalidade na criação.

Os bovinos são geralmente de pequeno porte, predominando o gado mestiço, por serem mais rústicos, e são criados para o corte e leite em pequena escala; os caprinos são animais que mais se adaptam à região.

Criação de gado de forma extensiva na localidade de Barroca do Cajueiro em Cabeceiras do PiauíComo observado nos dados oferecidos pelo IBGE, a bovinocultura é o segundo setor de maior lucratividade na economia do município de Cabeceiras do Piauí, formado por pequenas fazendas que ainda insistem na criação de gado bovino de forma extensiva, embora existam poucas áreas de pastagens abertas e de matas que ofereçam bons pastos. A maior quantidade é criada nessas áreas, não oferecendo grandes despesas aos pequenos fazendeiros e aos criadores agrupados e assentados em comunidades.

Criação de caprinos na localidade de Capão do Gato em Cabeceiras do PiauíO ponto alto se dá na incidência da criação de caprinos e ovinos, que, pela sua rusticidade, é encontrado em todas as propriedades e comunidades, favorecendo sobremaneira o maior consumo neste setor.

Nota-se também que está aumentando a produção de Criação de suínos na localidade de Capão do Gato em Cabeceiras do Piauísuínos, com tecnologia adequada, confinados em granjas, que oferecem carne com qualidade e em maior quantidade.

É grande a criação, para consumo próprio, de aves, como galinhas caipiras, perus, patos e capotes. Há também criação de frangos e galinhas caipira em granjas de médio e pequeno porte, Granja na Localidade de Lisboa em Cabeceiras do Piauícom incentivo do governo estadual e iniciativa privada, para comercialização no próprio município e exportação para outros municípios vizinhos e até para a capital.

Existe também, e com boas perspectivas de futuro, projetos embrionários, denominados “Horta Familiar”, com incentivos e suporte tecnológico do governo estadual, que consiste em uma área de mais ou menos um hectare cercada com tela de arame, com uma área de forma arredondada coberta e fechado com tela de arame no centro para confinamento de aves,Horta familiar na localidade de Jabuti em Cabeceiras do Piauí pricipalmente galinhas caipira, que recebem as verdura produzida e não aproveitadas para consumo e comércio. Partindo dali um corredor fechado, também com tela, para uma subdivisão provida de vegetação nativa para favorecer como complemento alimentar. Nessa área no ponto central e com formato de mandala, existem canteiros para a produção de hortaliças e frutas leguminosas. Os cantos são destinados à produção de árvores frutíferas de pouca sombra, tais como mamão, banana, etc.

Horta familiar na localidade de Jabuti em Cabeceiras do PiauíNestes projetos, pode haver a participação de até cinco famílias da comunidade, mas pela dificuldade e o trabalho, a adesão quase nunca se complementa. Assim, a produtividade não é inviável por ser muito dificultosa e pela demanda de trabalho.

Existem também outros projetos implementados na região do Cajueiro para pequenos criadores, também montados em parceria com o governo estadual, responsável pela estruturação da criação de ovinos, caprinos, “ovinocaprinocultura” e a criação de galinhas caipira, todavia tais projetos foram estruturados, mas não foi oferecido treinamento e acompanhamento tecnológico adequado aos participantes para que pudessem superar as possíveis dificuldades, como vacinação, medicação e alimentação adequada para que fosse evitada a proliferação de doenças e pragas e assim obtivessem êxitos em seus projetos. Por esta razão foram fadados ao insucesso.

Agricultura

Roça queimada na localidade de Madeira Cortada na zonz rural de Cabeceiras do PiauíÉ um sistema de produção agrícola que visa a sobrevivência do agricultor e de sua família. É caracterizada pela utilização de recursos técnicos pouco desenvolvidos. Os instrumentos agrícolas mais usados são: enxada, foice e machado e a forma de limpeza da terra é através de queimadas, que a cada ano agrícola, vem destruindo a cobertura vegetal nativa e diminuindo o habitat natural da flora e fauna silvestre. Raramente são utilizados tratores ou outro tipo de máquina. A produção é baixa em comparação às propriedades rurais mecanizadas. Este sistema é geralmente aplicado em pequenas propriedades rurais. 

A produção nestas propriedades é, na maioria das vezes, de hortaliças, arroz, feijão, batata, mandioca e milho.Plantação de legumes na localidade de Cajueiro em Cabeceiras do Piauí

O excedente da produção é vendido ou trocado por outros produtos que não são produzidos na propriedade.

Apesar das dificuldades, como as secas e as pragas que prejudicam a vida do homem do campo, a agricultura é que dá sustento à população de todo o município, principalmente no setor de cereais que concorre com quase três quartos da renda obtida através da produção agrícola.

As principais culturas exploradas são o arroz, o algodão, o milho, o feijão, a mandioca e hortigranjeiros diversos, apesar de que a maior parte dos hortigranjeiros consumidos seja trazida de outros municípios, principalmente da Teresina ou Campo Maior. 

Extração Vegetal

Extrativismo é um conjunto de atividades econômicas relacionadas à coleta ou extração de recursos naturais do meio ambiente. 

As duas formas mais comuns de extrativismo na atualidade são o vegetal e o mineral. No Brasil, por exemplo, o extrativismo vegetal ocorre com maior intensidade na região Norte, com a extração de borracha, castanha e madeira. Este extrativismo é realizado de forma individual, coletiva ou por empresas. 

O extrativismo mineral, que demanda o investimento de altos recursos, é realizado geralmente por grandes empresas. No Brasil, as principais atividades extrativistas minerais são: minério de ferro, petróleo, ouro, bauxita, etc.

O extrativismo deve ser realizado sempre de forma a respeitar a natureza. O extrativismo predatório pode provocar sérios danos ao meio ambiente. O corte de madeira ilegal, por exemplo, pode gerar a desertificação das regiões afetadas, alterando o clima e trazendo fortes impactos para o ecossistema.

É uma das atividades mais antigas da humanidade, sendo que pinturas rupestres indicam que o extrativismo vegetal já era praticado na Pré-História. 

EXPLORAÇÃO DO COCO BABAÇU

SÃo Bent, região das matas dos cocaisA população da região oeste do município de Cabeceiras, além de sobreviver da agricultura e criação de pequenos animais, complementam sua renda com a extração do coco babaçu, pois existe grande incidência de matas de cocais.

O babaçu destaca-se entre as palmeiras encontradas em território brasileiro pela peculiaridade, graça e beleza da estrutura que lhe é característica: chegando a atingir entre 10 a 20 metros de altura, suas folhas com até 8 m de comprimento, arqueadas mantêm-se em posição retilínea, pouco se voltando em direção ao solo; orientando-se para o alto, o babaçu tem o céu como sentido, o que lhe dá uma aparência bastante altiva.

Frutos da palmeira de coco babaçuSuas flores têm a coloração creme-amareladas, aglomeradas em longos cachos.Seus frutos são ovais e alongados, de coloração castanha, que surgem de agosto a janeiro, em cachos pêndulos. Cada palmeira pode apresentar até 6 cachos. A polpa é farinácea e oleosa, envolvendo suas sementes oleaginosas. 

Amêndua do coco babaçuO principal produto extraído do babaçu, e que possui valor mercantil e industrial, são as amêndoas contidas em seus frutos. As amêndoas - de três a quatro em cada fruto - são extraídas manualmente em um sistema caseiro tradicional e de subsistência.

A quebra do fruto tem sido feita, desde sempre, da mesma e laboriosa maneira. Sendo a casca do fruto de excepcional dureza, o procedimento tradicional utilizado é o seguinte: Quebradeira de coco babaçu na localidade de São Bentosobre o fio de um machado preso pelas pernas da "quebradeira", fica equilibrado o coco do babaçu; depois de ser batido com muita força e por inúmeras vezes, com um pedaço de madeira, finalmente, o coco parte-se ao meio, deixando aparecer suas preciosas amêndoas.

O babaçu concentra alto teor de matérias graxas, ou seja, gorduras de aplicação alimentícia ou industrial. Assim, o principal destinatário das amêndoas do babaçu são as indústrias locais de esmagamento, produtoras de óleo cru. Constituindo cerca de 65% do peso da amêndoa, esse óleo é subproduto para a fabricação de sabão, glicerina e óleo comestível, mais tarde transformado em margarina, e de uma torta utilizada na produção de ração animal e de óleo comestível.

Côfo - Recipiente confeccionado com palhas da palmeira de babaçuMas não é só isso! Apesar de demorar a atingir a maturidade e começar a frutificar, do babaçu tudo se aproveita, também como acontece com a maioria das palmeiras. Especialmente nas economias de subsistência, suas folhas servem de matéria-prima para a confecção de certos utensílios domésticos - cestos de vários tamanhos e funções, abanos, peneiras, esteiras, cercas, janelas, portas, etc. Casa com paredes de taipa e coberta com palhas de Coqueiroe como matéria-prima fundamental na armação e cobertura de casas rústicas e abrigos. Durante a seca, essas mesmas folhas servem de alimento para a criação.

O estipe do babaçu, quando apodrecido, serve de adubo; se estiver em boas condições, é usado em marcenaria rústica. Das palmeiras jovens, quando derrubadas, extrai-se o palmito, alimento apreciado.

As amêndoas recém-extraídas, raladas e espremidas com um pouco de água em um pano fino, fornecem um leite de propriedades nutritivas. Esse leite é muito usado na culinária local como tempero para cozido de carne seca de ovinos ou caprinos e peixes.

Carvão de casca de côco babaçuA casca do coco, devidamente preparada, fornece um eficiente carvão e o processo de produção do carvão de babaçu se dá através da queima lenta em caieiras cobertas por folhas e terra.

Outros produtos de aplicação industrial podem ser derivados da casca do coco do babaçu, tais como etanol, metanol, coque, carvão reativado, gases combustíveis, ácido acético e alcatrão.

Apesar de tantas e tão variadas utilidades, por sua ocorrência não controlada do ponto de vista econômico, o babaçu continua a ser tratado como um recurso marginal, permanecendo apenas como parte integrante dos sistemas tradicionais e de subsistência.

EXPLORAÇÃO DO TUCUM

TucunzeiroO tucunzeiro é uma palmeira existente na zona de transição entre a caatinga e a mata dos cocais, cujo fruto é o tucum. Tanto o fruto como o restante da palmeira são muito utilizados no artesanto; o seu caule é aproveitado na confecção de cercas e na armação do teto da casas rústicas existentes na zona rural.

Embira de palhas do tucunzeiroSuas folhas são arqueadas e cheias de espinhos. Do olho, ou seja, da folha nova, tiram-se a embira, que serve para feitura de cordas, muito utilizada no artesanato da zona rural, e o fiapo, de onde se faz linha utilizada em tecelagem rústica ou confecção de tarrafas, armadilha usada em pescarias.

O palmito de tucum é suave e ligeiramente adocicado, por ser extraído da palmeira jovem em fase de crescimento.

Tucuns MadurosSuas flores se abrem dentro de uma capemba, proteção natural, e têm a cor que varia do branco ao amarelo-claro, que deriva de um cacho comprido de cocos redondos e têm dois estágios de coloração, que varia do verde ao laranja.

Imagem de uma vaca comendo tucumQuando maduros, caem ou são derrubados e depositados em local fechado, onde são utilizados para auxiliar na alimentação de porcos, que os mastigam e consomem sua casca e, ainda, na alimentação do gado bovino, que por serem ruminantes, engolem e depois em uma ação de regurgitação e liberam o coco limpo.

O passo seguinte é expô-los ao sol por muito tempo, até que sequem completamente para serem quebrados manualmente. Quebra de tucuns

A quebra do tucum, como o coco babaçu, ainda é feita manualmente, onde a quebradeira,Tucuns quebrados com o auxilio de uma pedra ou madeira entre as pernas, onde, com bastante agilidade, coloca os cocos um a um sobre a pedra ou a madeira e em movimentos rápidos bate com um machado de cabo curto sobre eles quebrando-os, depois sua amêndoa é separada da casca.

De suas amêndoas, extrai-se um óleo que é vendido de forma in natura para industrialização de biocombustível ou de óleo vegetal. Esse óleo é aproveitado na fabricação de sabão, glicerina ou margarina. Da massa restante é feita uma torta utilizada na produção de ração animal.

EXPLORAÇÃO DO CAJU

Castanha e pedúnculo de cajuO caju é considerado, muitas vezes, como o fruto do cajueiro, embora seja um pseudofruto, constituído de duas partes: a castanha, que é a fruta propriamente dita, e o pedúnculo floral piriforme, carnoso, amarelo, rosado ou vermelho.

Árvore do CajueiroO caju é rico em vitamina C e ferro e ajuda a proteger as células do sistema imunológico contra os danos dos radicais livres.

Seu cultivo é comum no Nordeste brasileiro. A colheita é realizada de agosto a janeiro.

O cajueiro é uma árvore originária do Brasil, nativo da região litorânea. Suas folhas são eficazes na cicatrização de feridas.

A casca do cajueiro é usada no tratamento de afta e infecções na garganta. A madeira também é aproveitada na construção civil, carpintaria, marcenaria, etc.

O pseudofruto e fruto (propriedades e beneficiamento)

O caju é rico em vitamina C e ferro e ajuda a proteger as células do sistema imunológico contra os danos dos radicais livres. Depois do beneficiamento do caju, preparam-se sucos, mel, doces, passas, rapaduras e cajuína. O seu suco fermenta rapidamente e pode ser destilado para produzir uma aguardente.

O suco de caju industrializado é muito apreciado em todo o país, tanto em forma de polpa quanto o suco engarrafado.

Muito antes do descobrimento do Brasil e antes da chegada dos portugueses, o caju já era alimento básico das populações autóctones. Por exemplo: os tremembés já fermentavam o suco do caju, o mocororó, que era e é bebido na cerimônia do Torém.

De suas fibras (resíduo/bagaço), ricas em aminoácidos e vitaminas, misturadas com temperos, é feita a "carne de caju".

Existe uma variedade enorme de pratos feitos com o caju e com a castanha.

Fruto com pseudofruto

Castanha de caju in naturaO fruto propriamente dito é duro e oleaginoso, mais conhecido como "castanha de caju", cuja semente é consumida depois do fruto ser assado, para remover a casca, ao natural, salgado ou assado com açúcar.

A extração da amêndoa da castanha de caju, depois de seca, é um processo que exige tempo e mão-de-obra, cujo método de extração dessa amêndoa utilizado pelos indígenas era a sua torragem direta no fogo, para eliminar o "Líquido da Castanha de Caju" ou LCC; depois do esfriamento, quebra a casca para retirar a amêndoa.

Com a industrialização, este método possui mais etapas: lavagem e umidificação, cozimento, esfriamento, ruptura da casca, estufamento.

Castanha de caju beneficiadaA amêndoa da castanha de caju é rica em fibras, proteínas, minerais (magnésio, ferro, potássio, selênio, cobre e zinco), vitaminas A, D, K, PP e principalmente a E, carboidratos, cálcio, fósforo, sódio e vários tipos de aminoácidos. Um destes aminoácidos é a arginina que, no metabolismo, transforma-se em óxido nítrico e este, por vez, alarga as artérias e diminui a pressão sanguínea. Desta forma, a castanha do caju contribui no combate às doenças cardíacas.

A castanha, depois de torrada, é utilizada como petisco, sendo exportada para quase todo mundo e ainda verde (maturi) também pode ser usada nos pratos quentes.

A castanha possui uma casca dupla contendo a toxina uruxiol (também encontrada na hera venenosa), um alergênico que irrita a pele. Por isso, a castanha deve ter sua casca removida através de um processo que causa dolorosas rachaduras nas mãos. A castanha também possui ácido anacárdico, potente contra bactérias gram-positivas como Staphylococcus aureus e Streptococcus mutans, que provoca cáries dentárias.

O "Líquido da Castanha de Caju" ou LCC, depois de beneficiado, é utilizado em resinas, materiais de fricção, em lonas de freio e outros produtos derivados, vernizes, detergente indústria, inseticida, fungicida e até biodiesel.

Do Brasil para a África e Ásia

Doce de cajuFruto nativo do Brasil, o caju foi levado pelos portugueses do Brasil para a Ásia e a África.

A mais antiga descrição escrita do fruto é de André Thevet, em 1558, comparado este a um ovo de pata. Posteriormente, Maurício de Nassau protegeu os cajueiros por decreto, e fez o seu doce, em compotas, chegar às melhores mesas da Europa.

Produção

A castanha de caju é hoje um produto de base comum em todas as regiões com um clima suficientemente quente e úmido, com insidência em mais de 31 países.

Cajuina produzida na localidade de Jabuti em Cabeceiras do PiauCajuína - é uma bebida, sem álcool, clarificada e esterilizada, preparada a partir do suco de caju, apresentando uma cor amarelo-âmbar resultante da caramelização dos açúcares naturais do suco. Preparada de maneira artesanal, é uma bebida típica do estado do Piauí. A Cajuína, símbolo da cultura da cidade de Teresina, foi criada por Rodolfo Teófilo.

A doutora piauiense Ana Amélia afirma que o suco de caju e a cajuína oferecem proteção contra a mutagênese induzida por agentes oxidantes e formadores de alterações ao DNA.

A produção da cajuína é feita através dos seguintes processos:

  • Extração do suco do caju;

  • Filtração;

  • Adição de gelatina (para a retirada da substância que dá a sensação de "travamento" na garganta);

  • Separação dos taninos;

  • Clarificação.

O Piauí é grande produtor de caju em escala industrial e comercial; no entanto, em Cabeceiras, a população ainda não atentou para a importância econômica que esse produto pode oferecer e a produção é pequena. Existem pequenas plantações, ou plantações primitivas, plantas que fazem parte de uma diversidade de árvores frutíferas em pomares ao redor das casas, mas, apesar da pequena produtividade, já existem moradores de algumas localidades que produzem os mais diversos produtos tanto com a castanha quanto com seu pedúnculo.

A castanha, apesar de não ser beneficiada no município, é vendida a pequenos comerciantes que exportam para outas regiões e até outros estados.

EXPLORAÇÃO DA CARNAÚBA

CarnaubalA Carnaubeira é uma planta nativa que se desenvolve nos grandes vales, aluviões, de margens de rios, suportando lugares alagados e com elevados teores de salinidade, o que é comum na região da caatinga e tabuleiros dos estados do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte.

Diz-se da carnaúba ou da carnaubeira que ela é "a árvore da vida" ou da "providência", tendo em vista a gama de funções da vida cotidiana que ela pode propiciar. Ela se apresenta garbosa nas planícies do semiárido piauiense sempre copada, num verde moderado, coberta por uma camada leve de pó cerífero que garante a constância do tom.

A literatura cita que no Pantanal Mato-grossense ocorre a espécie denominada, popularmente, de carandá, diferindo da carnaubeira encontrada no Nordeste pela ausência do pó cerífero, devido ao excesso de umidade relativa do ar no Pantanal, em contraste com a região Nordeste. As plantas, de uma maneira geral, produzem cera para evitar, entre outros aspectos, a perda de umidade que na carnaúba funciona como uma proteção das folhas.

Existem 13 espécies do gênero encontradas na América Latina; no entanto, apenas a variedade encontrada no Brasil, principalmente no Nordeste, produz o pó cerífero. Sua safra se estende de agosto a dezembro, através do corte e secagem de suas palhas, com o objetivo da obtenção do pó cerífero. Nos meses subsequentes ocorre o cozimento do pó e, consequentemente, a produção da cera de origem.

Da carnaúba tudo se aproveita

Construção com o tronco da carnúbaO caule, quando envelhecido, é utilizado na construção mais rústica de casa na zona rural. Dele se faz cumeeiras, terças e caibros roliços. Da casca do tronco, convenientemente tratadas, faz-se ripas. Todas essas peças, devidamente utilizadas, garantem tetos dos casarios. Quando jogadas sobre o solo, as suas matérias desintegradas são dos melhores adubos para fecundar a terra na criação de novas brotações.

Os frutos enegrecidos e nutridos em cachos, caídos ou colhidos, alimentam animais. A palha seca é matéria prima de grande variedade, entre as quais, talvez a mais recorrente, as "vassouras". O palhame trançado elabora-se um bonito artesanato caseiro. Com as palhas inteiriças cobrem-se casas e latadas.

Palma da carnaúbaÉ da palma, ainda viva, que se lhe extrai o que de maior valor econômico ela possui: o pó cerífero, a cera de carnaúba. Insumo tão importante que, na vida socialmente produtiva do Piauí, inscreve-se entre as riquezas que marcaram toda uma era, com interessante inserção ainda presente.

Pó de carnaúbaO pó cerífero retirado das folhas está presente em uma película protetora existente em suas superfícies, protegendo a planta da transpiração excessiva que ocorre em ambientes com longos períodos de estiagem e com baixa umidade relativa.

Com a cera já se compõe até a essência lubrificante de preservativos. Ainda é ideal para tesar o fio dental e revestir as mais variadas faces da utilitária tecnológica moderna.

Aplicações da cera de carnaúbaSeu emprego industrial abrange diversas áreas devido às características da cera, a qual após ser refinada, conforme as variadas classificações é utilizada na fabricação de produtos farmacêuticos (encapsulamento de produtos medicamentosos), cosméticos, filmes plásticos e fotográficos. Participando ainda, na composição de revestimentos, impermeabilizantes, lubrificantes, vernizes, cera de polir móvel e automóvel, na confecção de chips, tonners, códigos de barras e na indústria alimentícia.

A cera de carnaúba é um produto com mercado cativo, de produção exclusivamente brasileira, com possibilidade de crescimento e de maior geração de divisas. 

O processo de beneficiamento da palha da carnaúba

Crte da palha de carnaúbaO período do corte dos carnaubais ocorre numa época em que a mão-de-obra agrícola encontra-se, em grande parte, ociosa com referência aos plantios de feijão, milho e arroz. Por outro lado, sendo esta palmeira resistente a falta de chuvas, a sua existência em uma propriedade assegura emprego e renda para a população rural no período seco, sendo um fator de fixação do homem no campo e um sustentáculo seguro para a promoção de atividades agro-pastoris consorciadas.

Transporte de palhas de carnaúbas do carnubalCom uma foice em forma de gancho na ponta de uma vara comprida, o vareiro (tirador de palhas) puxa as folhas pelo talo. derrubando-as; em seguida, vem o aparador, que corta o talo que ficou e monta os feixes, deixando-os espalhados pelo carnaubal.

O transportador acompanha com um jumento ou burro com cangalha e cambitos, junta os feixes e organiza-os em sobre cambitos, de forma a deixar o animal completamente coberto pelas palhas, levando-as para local determinado.

Existem dois processos de extração do pó: artesanal empírico e o industrial.

Processo de beneficiamento Artesanal empírico

Os equipamentos básicos de uma fábrica de cera de primitiva são a caldeira a lenha, a prensa e o tanque de secagem.

As prensas utilizadas na filtração geralmente são rústicas e sua operação exige grande esforço dos trabalhadores. Os tanques rasos, construídos em cimento, no chão, ou de placas retangulares de madeira, denominados de gamelas, servem para resfriar e secar a cera, gerando uma forma sólida, denominada de "pão de cera de carnaúba".

Riscador de palhas de carnaúbaO beneficiamento ocorre da seguinte maneira: separa-se as palhas do olho e as palhas normais, porque as do olho produzem o pó amarelo e o das palhas normais é branco pardo. Secagem das palhasE, com uma faca de ponta fina e afiada, o trabalhador risca as palhas, deixando-as em tiras bem finas que, em seguida, são expostas ao sol para a secagem.

 Ao final do dia, são juntas e depositadas em local fechado para que não haja perca do pó. Depois, com o chão forrado, as palhas são suspensas em uma vara e batidas, de forma que todo pó caia sobre o forro do chão, em seguido é ensacado para posterior cozimento.

O pó extraído por batimento manual ou mecânico é misturado à água na caldeira, na proporção de 200 kg para 15 latas (de querosene), depois depositado em grandes recipientes apropriados e levado ao fogo, a fim de ser cozido a uma temperatura em torno de 120 ºC, o que demora cerca de 3 horas. Com o aquecimento e fervura, parte da cera (cerca de 90 kg) já sai pronta, na forma líquida. Cozimento artesanal do pó para a transformação em cêra de carnaúbaQuando no ponto ideal, o líquido escoa pela abertura lateral superior do recipiente, caindo dentro de um tambor. Em seguida, este material é transportado para o tanque, aí permanecendo por umas 5 horas, a fim de que ocorra resfriamento e secagem. O material que permanece na caldeira, após esta primeira etapa, é denominado de borra, e é levado para a prensa por uns 10 minutos, gerando uns 60 kg de cera úmida.

Prensagem da cêra de carnaúbaDepois de prensada, é lavada novamente para ferver, só que agora em latas de querosene, por uns 40 minutos e, em seguida, submetido novamente ao processo de prensagem, obtendo-se, ainda, entre 30 e 35 kg de cera que irá para o resfriamento e secagem no tanque. O líquido restante, após a retirada da borra, é denominado de barreiro. O barreiro é fervido e prensado e, o que sobra desse processo é o ricum da palha, que vai funcionar como adubo orgânico.

A cera de origem obtida pode ser de três tipos: a partir do beneficiamento do "pó de olho", obtém-se a cera amarela ou "cera olho". Já do pó de palha se obtém dois tipos, a arenosa, verde acinzentada, com 6% de água em média, e a cera gorda, negra esverdeada, que difere da arenosa por não ter água em sua composição.

Podem ser apontados como desvantagens no processo artesanal empírica de obtenção da chamada cera de origem:

  1. ausência de controle de temperatura na fusão do pó e utilização de recipientes inadequados, que, quando em contato direto com o fogo, queimam partes do "pão de cera", gerando muitas vezes um produto de qualidade inferior, ao ser analisada nos laboratórios industriais;

  2. exposição dos trabalhadores envolvidos na fusão do pó ao risco de acidentes, devido à ausência de equipamentos de segurança apropriados.

Processo de beneficiamento industrial

Feixes de palhas de carnaúbas expostas ao sol para secagemO processo industrial é feito com a utilização de máquinas, onde as palhas são separadas e expostas ao sol, amontoadas em feixes e, ao final da colheita das palhas do carnaubal, contrata-se Máquina apropriada para a extração do pó ceríferouma máquina que faz o processo de extração do pó, que consiste na introdução das palhas em uma boca que suga e as picota, liberando de um lado as palhas picadas, do outro em um grande saco, o pó; em seguida, é ensacado.

A transformação do pó em cera pelo processo industrial pode ser realizada de três formas:

  1. refino da cera bruta, a cera de origem obtida em processo artesanal (de olho ou da palha);

  2. refino do pó para posterior produção da cera;

  3. processamento da borra da cera de carnaúba originária do processamento artesanal e industrial.

Esta transformação ocorre em duas etapas: destilação e refinação. Na destilaria, o pó, a cera bruta e a borra passam pelo processo de destilação, utilizando solvente (aguarrás, benzina ou éter) adicionado de palha de arroz (para facilitar a extração da cera). Na refinaria, é feita a filtragem, a centrifugação, a clarificação (agente químico na proporção adequada e adição de peróxido de hidrogênio), a escamação (que fornece o produto final frio e em forma de escamas) e a embalagem da cera.

Concluído o processo de industrialização, a cera de carnaúba apresenta-se em três tipos: Um, Três e Quatro.

  1. O "Tipo Um" é o mais nobre, originário do "pó de olho", proveniente da folha do olho da carnaúba e tem utilizações mais nobres, tais como nas indústrias cosmética, farmacêutica, alimentícia e em emulsões. Os outros dois tipos se originam do "pó de palha";

  2. a cera "Tipo três", de cor marrom escura, é filtrada, sendo normalmente utilizada em tintas, vernizes e cera para polimentos;

  3. a cera "Tipo Quatro" é preta, centrifugada, empregada normalmente na fabricação de papel carbono.

Industrialização da cêra de carnaúbaAlgumas indústrias vêm introduzindo algumas inovações tecnológicas no processo de refino de cera de carnaúba. Cite-se o processo de extração de cera, que já vem sendo feito, em algumas indústrias, sem a utilização de palha de arroz, com redução do tempo de residência em 5 vezes, promovendo economia significativa em solvente e energia; destilação a vácuo produzido por venturi, com o objetivo de recuperação de solvente; produção de cera pulverizada por moinho a jato de ar (micronização) ou outro processo semelhante, porém diferente no tratamento químico dado à cera (atomização). Tanto a micronização quanto a atomização, deixam a cera "Tipo Um" com aparência semelhante ao leite em pó em cor e textura.

Apesar dessas inovações, o setor continua exportando a cera na forma de commodity, quando deveria exportar derivados da cera, com maior valor agregado, o que indica a necessidade de desenvolvimento tecnológico que contemple novos produtos.

De fato, embora se saiba das inúmeras utilizações que se dão à cera de carnaúba, a indústria brasileira não possui o domínio sobre a tecnologia de transformação. A quase totalidade da cera produzida no País (estima-se em mais de 95%) é exportada na sua forma bruta. Nos países importadores, o produto passa por processos de refinamento e transformação, tornando-se componente na formulação de diversos produtos comercializados no mundo inteiro. O domínio tecnológico brasileiro ocorre somente sobre produtos de limpeza e de polimento para assoalhos e automóveis, destinados ao mercado interno e, mais recentemente, sobre a emulsão para conservação de frutas, ainda em testes, cujos resultados já se mostram positivos.

Fontes:
Pierre Vilela -  
http://www.sebrae.com.br 

                          http://www.sober.org.br/palestra/5/509.pdf

                          http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/caju/caju-2.php