Cidade 

Vista da cidade de Cabeceiras do PiauíCabeceiras é constituída, em sua zona urbana e rural, por construções diversificadas: apesar de ser uma cidade onde muito se constrói, ainda existem, em poder de particulares, casas e casarões antigos que merecem o apreço do Poder Público para aquisição e preservação, que serviriam como reduto de cunho histórico e acomodariam museus que contam a história do município, tais como: museu do vaqueiro, exibindo fazendas típicas de épocas passadas, casa de farinha, etc.; bibliotecas públicas, e, assim, contribuindo para que nossa história não fique apenas na lembrança das pessoas idosas e tendendo a perecer muito rapidamente.

Placas indicativas na Avenida Francisco da Costa VelosoA cidade é estruturada às margens da rodovia PI – 113, na rota turística Caminho das águas, fato que contribui para seu desenvolvimento, por ser passagem de viajantes para o litoral ou outras cidades ao norte do Piauí, principalmente em feriados como as festas de fim de ano, carnaval e semana santa.

As construções existentes, em sua maioria, são simples,Comércio de Cabeceiras do Piauí exceto alguns pequenos prédios que começam a surgir com um ou dois andares.

O comércio, apesar de ainda tímido, é bem diversificado e proporcional à cidade, atendendo às necessidades básicas de sua população. Existe ali uma sede dos Correios, banco Bradesco, mercadinhos, farmácias, lojas de confecções e importados. Carece ainda de outras agências bancárias, casa lotérica, calçadeira, terminal rodoviário e outros serviços necessários ao seu desenvolvimento.

O casarão

Casarão de Dodô VelosoCasa construída por Francisco da Costa Veloso ( Seu Dodô); abrigava sua residência e comércio. Francisco da Costa Veloso (Dodô Veloso)Dodô trabalhava na comercialização de produtos trazidos de outras regiões (redes, tecidos, máquinas de costura, remédios, etc.) e grãos adquiridos dos habitantes da região em época de safra (milho, feijão, arroz, farinha, tapioca, etc.), além da preciosa cera de carnaúba e peles de animais.

Seu Dodô era uma espécie de banco: fornecia aos moradores da região seus produtos manufaturados e até emprestava-lhes dinheiro. Estes lhe pagavam com a produção de suas lavouras - na época da colheita - e cera de carnaúba -  na época da extração, aos preços praticados no dia do pagamento. Dessa forma, muitos trabalhadores rurais, ao colher, já estavam com toda a produção comprometida com o “Velho Dodô”.

 Casa de Ana Lages

Casa de Ana Lages - Construção mais antiga de CabeceirasA casa onde mora Ana Lages, esposa de Manuel Lages, é a construção mais antiga de Cabeceiras, com suas paredes de adobe, teto com linhas de pau d’arco, portas e janelas em cedro, ripas largas, caibros de carnaúbas e telhas rústicas brancas produzidas na região.

Foi construída por José Baptista Lopes (Zu Baptista), casado com Archangela Lages e parente próximo do fundador da Fazenda Cabeceiras, João Francisco de Carvalho e Almeida.

Nesta casa Ana e Manuel Lages, hoje separados, tiveram seus oito filhos, Raimundo Nonato, Zadir, João Lages Sobrinho, Francisca das Chagas, Edivaldo, Fogoió, Carlos Alberto, Helena, excetuando João Lages Sobrinho, todos de sobrenome Batista Lages.

Casa de João Lages

Casa de João Lages (Balbina)A casa onde hoje mora o Sr. João Lages Filho, juntamente com sua filha Creuza Torres Lages, é uma das mais antigas construções de Cabeceiras: construída por D. Balbina, figura originária da cidade Caxias, no Estado do Maranhão. Se instalou na região, comprou uma pequena propriedade e, dedicando-se na exploração de seus carnaubais e criação de bovinos, caprinos, ovinos e equinos, destacou-se entre os habitantes da lugar.  

Balbina manteve um relacionamento com o Sr. Antônio Ribeiro Torres, vaqueiro e boiadeiro da região, com quem teve um filho, José Ribeiro Torres que casou-se com Dª Elvira Torres Teixeira e desta união resultou o nascimento de Edith Torres Lages.

Quando a esposa de José Ribeiro, D. Elvira, estava prestes a conceber a luz a Edith. O casal veio para a casa de Balbina que após o nascimento da neta, logo enamorou-se dela e a pediu aos pais para criá-la. A princípio D. Elvira se opôs, mas com o tempo os pais da criança aceitaram o pedido da avó.

Edite LagesEdith, então foi criada por D. Balbina. Gostava muito de se divertir nas festas promovidas pela sociedade local, mesmo após seu casamento era quem realizava festas folclóricas em Cabeceiras, tais como: reisado, páscoa, quadrilhas, etc., e um fato pitoresco que acontecia na época era que ela fazia suas festas divididas por classes sociais e para isso existia em sua casa dois salões e nos quais reuniam-se, em um as pessoas de nível social mais alto e em outro divertiam-se os de nível mais baixo.

Outra característica de Edith era quando viajava para outra regiões, ou grandes centros, absorvia usos e costumes e os implantava em sua casa, como decoração, piso, modas, tipos e formas de alimentação.

Casou-se com o Sr. João Pacheco, filho de D. Beatriz, irmã de Francisco da Costa Veloso, com quem teve quatro filhos Hirah, José Luiz e Francisco das Chagas. Após ter ficado viúva e em segundas núpcias, em 1942 e com vinte e oito anos de idade, casou-se com João Lages Filho, vaqueiro e de família influente em Cabeceiras. Ficaram residindo no casarão construído por Balbina, onde tiveram seus dois filhos: Edmilson e Creusa Torres Lages. 

Casa de Hosana Torres Batista

 Casa de Hosana Lages, viúva de Cândido Alfredo Neto

A casa onde hoje reside D. Hosana Torres Batista, juntamente com seu filho Benedito Ligório , foi construída por Cândido Alfredo Neto. Dona Hosana é filha de Zu Baptista, parente próximo de João Francisco de Carvalho e Almeida, e viúva de Cândido Alfredo Neto.

 

Sede da Fazenda São Luis

 

 

A Fazenda São Luis pertenceu a Antônio Lajes que a repassou para Francisco da Costa Veloso e hoje grande parte dela encontra-se o Bairro São Luis.

 

 

Ruínas da Fazenda Água BrancaÁgua Branca - Lugar onde era situada a sede da fazenda que pertenceu a Luiz Fortes Castello Branco, depois pertencente a Francisco da Costa Veloso. Atualmente, parte de seu terreno está localizado na zona urbana, onde se situa o bairro Morada Nova e a outra parte ainda pertence a zona rural. Nesta fazenda reunia-se todo gado, nos meses de junho e julho, para vacinar, ferrar e fazer a partinha que se dava na proporção de quatro por um, ou seja, para quatro crias ferradas, uma pertencia ao vaqueiro, Sr. Celso Lages, neto de Zu Baptista Lopes, que permaneceu ali até depois da morte de Dodô Veloso.

Em espólio a propriedade passou a pertencer ao Sr. Francisco Ribeiro, sobrinho e fora criado por Dodô Veloso, o Senhor das Cabeceiras.

Capela de São José

 

Francisco da Costa Veloso construiu a Capelinha de São José, inaugurada em 1946 e  restaurada pelo Padre João Paulo em 2009.

Antes desse período, no entanto, já havia outra capela, que desmoronou, também construída por Dodô Veloso, o notável comerciante e fazendeiro.

 

 

Paróquia de São joséA paróquia de Cabeceiras faz parte da Diocese de Campo Maior. Após a emancipação do município e com o crescimento da população, passou a ter a necessidade de uma igreja mais ampla para acomodar os fiéis.

Foi então que o Bispo Dom Abel Alonso Nunez, engenheiro e arquiteto, projetou uma igreja com traço arquitetônico moderno e diferente, em forma de estrela na sua parte externa, o que propicia uma boa circulação de ar, pois suas paredes são vazadas. Além de aproveitar a iluminação natural durante o dia. Seu interior, em declive, permite que de qualquer posicionamento nos bancos se tenha uma boa visibilidade do altar.

Em 1994, para felicidade dos devotos de São José, o projeto se tornou realidade e surgiu no centro da cidade às margens da PI - 113 um projeto arquitetônico que tornou mais bonita a praça da emancipação.

 FONTES:

  • CARVALHO, Afonso Ligório Pires de: TERRA DO GADO – A Conquista da Capitania do Piauí na Pata do Boi; 1ª edição, Editora Thesaurus de Brasilia Ltda, Brasília, 2007.
  • MONTEIRO, Dilson Lages; MESQUITA, Francisco de Assis: CABECEIRAS - A Marcha das Mudanças; 1ª edição, Gráfica Pinheiro, Teresina – PI, 1996.

 ENTREVISTAS:

  • Ana Lages
  • Celso Lages Batista
  • Creuza Lages
  • João Lages Filho
  • José Alcinda